| "Como poucas pessoas, é o caso de Dom Helder Câmara,Comblin conseguiu ser cada dia mais aberto e crítico à medida que seus anos avançaram", testemunha Marcelo Barros, monge beneditino, teólogo e escritor. Eis o testemunho. Hoje saí da UTI de um hospital de Olinda, no qual me abriram o peito e me recauchutaram o coração fragilizado, com duas pontes de safena. No reencontro com a vida, ainda no leito de uma enfermaria, fico sabendo da partida do padre José Comblin, meu velho professor de Teologia e amigo de tantos anos e companheiro de lutas e esperanças. A um teólogo de fama mundial e de projeção pastoral como foi o padre Comblin, não faltarão testemunhos de muitos irmãos e irmãs que com ele conviveram e trabalharam por tantos anos. Eu fui apenas um dos seus alunos em todo o curso de Teologia e nem pertenci ao grupo mais ligado a ele naTeologia da Enxada ou mesmo no instituto de vida missionária que ele animava. Entretanto, fui marcado por sua figura e sua doutrina e tenho algumas experiências próprias que podem ser úteis que agora sejam recordadas. Há pouco mais de uma semana, escrevi um pequeno artigo, defendendo a atualidade e a pertinência de sua profecia eclesial e popular. Ele me respondeu com uma breve mensagem de agradecimento e depois me mandou um texto maior explicando suas críticas ao estilo atual do poder na Igreja Católica. Conheci o padre Comblin quando ele ainda era muito jovem, em 1964. Dom Hélder Câmara, então novo arcebispo de Olinda e Recife, trouxera uma equipe célebre de professores de Teologia. Entre eles estava o padre Comblin que, durante seus primeiros anos no Nordeste, ficou hospedado no mosteiro dos beneditinos. Naqueles anos, justamente, eu entrei no Mosteiro com a ânsia de renovação que motivava minha geração. Apesar de ser o tempo em que o Concílio Vaticano II propunha para a Igreja um novo Pentecostes, a maioria dos monges se apegava às velhas tradições. Apesar de ser muito discreto e viver outras preocupações pastorais, Comblin não deixava de ser irônico e quase sarcástico. E aquilo me atraía. No meu tempo de noviciado, li em francês “O Cristo no Apocalipse” onde se vê um Comblin exegeta e pouco conhecido. Li também, já em português “A Ressurreição”, um belo livro da Herder no qual ele, antes do Vaticano II, sustentava que o fato teológico mais marcante para o século XX tinha sido a revalorização teológica e espiritual do mistério pascal e da ressurreição de Jesus Quando comecei a fazer Teologia no Seminário de Camaragibe, ele era o coordenador do curso. Na minha juventude, eu o achava contraditório. De um lado, ele ensinava uma teologia profunda, mas tradicional (não tradicionalista) e eu compreendia pouco isso. Esperava dele intuições inventivas e estas não apareciam, ao menos para mim. Sei que, neste tempo, ele produziu obras impressionantes como Théologie de la Paix, Théologie de la Ville e um estudo sobre Catolicismo Popular no Brasil. Mas, na época, não tive acesso a estas obras. Suas aulas eram dadas em um tom monocórdio, só interrompidas aqui e ali pelas risadas de alunos que festejavam as ironias do Comblin, aparentemente demolidoras, mas no fundo construtivas. Mais tarde, em 1968, o Instituto de Teologia do Recifenomeia uma equipe de três professores e três alunos para elaborar uma proposta de nova temática e nova metodologia teológica. O coordenador da equipe era Comblin e eu fazia parte dos três alunos que tinham de discutir com ele as propostas dos alunos. Eu tinha a sensação de que ele mal nos escutava, mas me surpreendi quando, depois de muitos debates ácidos, ele assumiu nossas propostas e estas foram, em sua maioria, implementadas. No mesmo ano, um escrito interno com o qual Comblinpreparava a conferência episcopal de Medellin e propunha uma revolução social, extravasou para a imprensa. Ele que tinha ido a Europa foi proibido pela ditadura militar de voltar ao Brasil. Quando lhe perguntaram quem poderia, até o final do ano, coordenar o seu curso de Teologia dos Sacramentos, (estávamos em agosto), tive a surpresa e o orgulho de saber que ele escolhera o meu nome. Eu era apenas um dos alunos da classe do terceiro ano. A partir daí, sim, eu o assumi como um mestre de vida e procurava ler e estudar tudo que ele escrevia. A partir de então, descobri como ele inovava sua doutrina. Seu livro em dois volumes “Teologia da Revolução” foi meu batismo nos caminhos do que depois chamaríamos teologia da libertação. Nos anos 70, ele estava fora do Brasil e tivemos poucos contatos. Nos anos 80, o reencontrei mais velho e o achei mais aberto e comunicativo, sempre muito atento aos amigos. Um homem fiel às amizades e às relações. Era um intelectual de erudição raríssima, capaz de dissertar sobre Teologia, Política, Bíblia, Economia e muitos outros assuntos com uma competência incrível, ao mesmo tempo que punha em prática sua visão de uma teologia popular e seu carinho por um instituto para formar padres, missionários/as e religiosos /as que viessem do campo e não precisassem sair do meio rural. Algumas discussões com ele nortearam-me a vida. Por exemplo, a tentativa de libertar a Teologia cristã de sua base helenista (filosófica grega) ainda muito forte em nossa Igreja. Também, me impressionavam sempre a sua capacidade de criticar livremente a estrutura monárquica e absolutista do Vaticano. Mesmo um interesse imenso por uma vida religiosa mais popular e mais inserida, menos centrada nas estruturas das congregações. Nos últimos anos em que vivi no mosteiro de Goiás, sempre passou a Páscoa conosco. No Brasil, temos a graça de contar com teólogos e teólogas dos mais abertos e criativos do mundo, mas a contribuição própria do padre Comblin tem sido sempre a de uma liberdade interior de dizer o que pensa e ser um profeta crítico e irônico sempre capaz de ler a história e as estruturas eclesiásticas a partir dos empobrecidos e das grandes causas da América Latina. Em 2006, com Dom Tomás Balduíno e com ele, fomos observadores internacionais das eleições presidenciais da Venezuela e, bem mais do que outros companheiros, eu o vi muito aberto ao bolivarianismo. Quem o conheceu de perto sabe que sua ironia era profunda, mas não era de ruptura e sim de afeição. Como poucas pessoas, é o caso de Dom Helder Câmara,Comblin conseguiu ser cada dia mais aberto e crítico à medida que seus anos avançaram. Que sua herança teológica e profética seja por nós mantida e continuada. Para ler mais:
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terça-feira, 5 de abril de 2011
Comblin, o profeta da ironia afetuosa
AGRADECIMENTO A UM MESTRE
José Comblin deixou-nos no dia 27 de março último, depois de completar 88 anos de idade, vividos de modo despojado, fraterno e ecumênico. Pediu para ser enterrado em Solânea, PB, ao lado do grande apóstolo dos sertões nordestinos, o Pe. Ibiapina, para ele, um modelo para a missão, para a promoção humana, espiritual e apostólica dos pequenos e das mulheres e um verdadeiro santo, para nossos tempos.
Louvamos a Deus por sua vida e damos testemunho de sua entrega ao estudo e à formação a serviço dos pobres. Sua lúcida contribuição nos campos bíblico, teológico, pastoral e do compromisso cristão no mundo, sempre foi marcada pela busca da justiça e da transformação social. A partir dos últimos e excluídos, interpelava corajosa e profeticamente os grandes do mundo e da Igreja e as estruturas de opressão e exclusão.
A opção pelos pobres, que marcou sua vida, é um exemplo para nós. Por causa dos pobres, deixou a Bélgica e veio para a América Latina. Aqui, optou pelo nordeste, não o das capitais e sim o do sertão. Da experiência vivida entre os pobres, ele retirou o material básico para sua leitura da bíblia, sua espiritualidade, sua teologia, suas orientações pastorais. Nisso, tornou-se nosso mestre: nunca esquecer que o primeiro lugar no reino de Deus pertence aos pobres.
Comprometido com o projeto comunitário de igreja, Comblin dedicou especial atenção à formação de seminaristas em contato com o povo, visitando suas comunidades para com eles conviver e orientar nos estudos. Pensou num tipo de sacerdote nascido ou vivendo na zona rural, membro atuante de uma comunidade de base, e assim brotou a Teologia da Enxada que evoluiu para a fundação do Seminário rural. Para completar o quadro, Pe Comblin iniciou em Mogeiro-PB, o Centro de Formação para Missionárias do Meio Popular. Durante anos ele se desdobrou indo a pé ou de jipe para orientar a formação dos missionários do Campo e das missionárias do meio popular.
Escreveu muito. Fez inúmeras palestras e conferências. Assumiu uma enormidade de cursos formais ou intensivos para toda categoria de pessoas. Sua palavra foi dirigida a lavradores analfabetos e a doutores em teologia, mulheres da periferia e seminaristas, religiosas inseridas e bispos em assembléia, porque seu desejo era estar presente onde pudesse provocar ou renovar em seus ouvintes e leitores a conversão ao reino de Deus. Não poderemos jamais subestimar o valor dessa lição de disponibilidade como missionário e evangelizador.
Sua radical opção pelos pobres fez de Comblin um severo crítico do sistema capitalista e de seus instrumentos de dominação. Basta lembrar sua crítica lúcida e corajosa à lei de segurança nacional. Não contente com a crítica teórica, ele dedicou seu ministério presbiteral à construção de instrumentos de libertação dos pobres, como comunidades eclesiais de base, pastorais sociais e movimentos populares.
A maior lição do mestre Comblin talvez seja sua teimosa fidelidade à igreja. Foi nela e por meio dela que ele decidiu trabalhar a vida toda.
Este nosso testemunho é apenas pálido eco de milhares de pessoas, comunidades, dioceses e movimentos populares que estão agradecendo a Deus por sua vida e seus trabalhos. Sua palavra, seus escritos, sua coerência intelectual e pastoral são para a Igreja da Libertação uma verdadeira herança que devemos fazer frutificar.
quinta-feira, 31 de março de 2011
| MP propõe ação de improbidade administrativa contra Kassab por déficit de vagas em educação infantil |
| Ação contra prefeito de São Paulo tem como fundamento Ações Civis Públicas propostas pelo próprio Ministério Público e por organizações do Movimento Creche para Todos, do qual a Ação Educativa faz parte. Devido ao persistente descumprimento de decisões judiciais que determinam o atendimento da demanda por educação infantil na Cidade de São Paulo, e à “inequívoca ilegalidade e ineficiência” da política educacional da prefeitura paulistana no atendimento do direito fundamental à educação infantil das crianças de zero a cinco anos, o Ministério Público de São Paulo propôs uma ação civil pública de improbidade administrativa contra o prefeito da Capital Paulista, Gilberto Kassab. |
Ester Gammardella Rizzi
Ação Educativa - Assessoria, Pesquisa e Informação
Tel. (11) 3151 2333 (ramal 162)
domingo, 27 de março de 2011
O Papa volta atrás em Sucumbíos, no Equador, e nomeia um Delegado Pontifício
http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=41624 |
Tenho, no Equador, vários amigos desde o tempo em que ia para lá com certa frequência, e eles me comunicam as notícias daquela Igreja. Graças a isso pude ser o primeiro a informar no dia 30 de outubro (e 02 de novembro) do ano passado a notícia da renúncia do Mons. Gonzalo López(dos Carmelitas), por completar a idade canônica para isso, e a posse doPe. Rafael Ibarguren (dos Arautos do Evangelho), na prelazia de San Miguel de Sucumbíos. A informação é de Xavier Picaza e está em seu blog Teología sin Censura, 20-03-2011. A tradução é do Cepat. Em si, era uma mudança normal, pois o Pe. Gonzalo havia completado seus anos de prelado e havia apresentado a renúncia. Mas a forma como se efetuou (a modo de expulsão) e a maneira como os Arautos do Evangelhoentraram em uma prelazia que havia mantido uma trajetória exemplar de Evangelho, fizeram eclodir os protestos de um lado e de outro. Vendo que as notícias e juízos sobre a situação já estavam sendo publicados em diversos meios de comunicação, com certa frequência (em Redes Cristianas eAtrio, por exemplo), desisti de continuar informando sobre o tema, mesmo que soubesse de muitas coisas, de primeira mão, através dos amigos de que falei. Deixei de dar notícias e, sobretudo, de emitir juízos, porque o assunto era espinhoso e os enfrentamentos dolorosos. Ao longo de quatro meses e meio a situação se havia tornado insuportável. Muitos agentes de pastoral da Prelazia (em grande parte leigos) fechavam as portas aos Arautos do Evangelho e não os deixavam nem celebrar a eucaristia. E os Arautos, por sua vez (respaldados por algum bispo do Equador e pelo Núncio), queriam impor-se também à força, opondo-se em tudo às diretrizes de Mons. Gonzalo (e inclusive à sua pessoa). Sobre tudo isso informa um portal exemplar da prelazia, intitulado ISAMIS(http://isamis2010.blogspot.com/), a partir de uma perspectiva contrária aosArautos. Teria sido bom conseguir também contatos de um modo pessoal com o Pe. Rafael e com os Arautos, mas isso não me foi possível. Por isso me limito a publicar a “boa notícia”. Os conflitos da Prelazia chegaram à Santa Sé e o Papa Bento XVI pôde conhecer o caso, e com um gesto de coragem que o honra, voltou atrás. Esta é a notícia que, no sábado (dia de São José), foi publicada em Quito, e comunicada inclusive na missa de várias Igrejas: O Santo Padre Bento XVI nomeou o Exmo. Miguel Angel Polibio Sánchez, bispo de Guaranda e Secretário da Conferência Episcopal Equatoriana, como Delegado Pontifício da Prelazia de San Miguel de Sucumbíos “donec aliter provideatur”. Meus informantes não sabem ainda o alcance da notícia, nem que diretrizes o novo Delegado Pontifício irá seguir, nem o que acontecerá com osArautos (se terão que sair da Prelazia). Só sei da notícia, mas ela em si mesma é absolutamente extraordinária. Os protestos de grande parte dos cristãos de Sucumbíos fizeram a Santa Sé mudar, ela que, evidentemente, tem medo de que surja um escândalo (ou inclusive um cisma) não só naquela igreja, mas em muitas outras. Um amigo, atento a estes temas, me disse que é um caso semelhante ao dos protestos de parte do povo no Magreb... O Papa (o Vaticano) tem medo de que a vontade popular se expresse publicamente e, se isso acontecer, ter que ceder. Sucumbíos pode ser um exemplo de liberdade e evangelho para outras igrejas cristãs, a não ser que se instale entre nós a pura passividade, de maneira que já não sejamos capazes nem de protestar (porque somos tíbios, como disse de um modo impressionante o Apocalipse, quando acrescenta: “por isso, porque não és nem frio nem quente, te vomitarei”). Talvez este “pequeno caso” de Sucumbíos possa significar uma inflexão na atitude do Vaticano. Estou lendo o novo livro de Bento XVI sobre Jesus. O que se diz nesse livro sobre a liberdade e responsabilidade na Igreja vai absolutamente contra o que estava acontecendo em Sucumbíos. Deixo aqui a notícia. Outros irão comentá-la e ampliá-la. Agora me limito a recolher (e resumir) uma carta que circula por Quito; é escrita por um membro da Igreja de Sucumbíos (possivelmente um leigo) que escreve aos seus amigos, em carta pública. Me fio em que os dados que traz sejam autênticos. Sua voz é a de centenas de milhares de cristãos da prelazia que vêm protestando contra a “política” adotada pelo Vaticano no caso. Anexo 1. Carta pública sobre a situação de Sucumbíos (com a notícia final da nomeação do novo Delegado Pontifício) Meus queridos amigos e amigas: Aproveito este domingo, 13 de março de 2011, depois de uma grande marcha das Organizações Populares e das Comunidades Cristãs, que aconteceu na sexta-feira, dia 11, exigindo a saída dos Arautos de Isamis, de Sucumbíos e do Equador, para escrever estas palavras. Conversando com algumas companheiras da Federação de Mulheres de Sucumbíos, uma das organizadoras do evento, calculávamos entre 2,500 e 3.000 pessoas na marcha. Foi realmente uma jornada bonita, especialmente pela resposta das comunidades, quanta gente conhecida das comunidades de todas as zonas pastorais, quanto carinho se sentia...! E também uma grande presença das organizações de mulheres (sempre as mulheres), que assumiram realmente a luta como sua. Bom, vou compartilhar com todos vocês... esta é uma situação que parece que vai se complicando cada vez mais, como é normal. Pessoalmente, não vejo outra solução senão a saída dos Arautos, mas por outro lado, essa solução é muito difícil já que são o Vaticano (Cardeal Díaz, daCongregação da Evangelização dos Povos) e o Núncio no Equador, os artífices deste imbróglio no qual nos meteram. Não consigo entender como pode ser que esse trabalho que está sendo valorizado e reconhecido por várias Instituições que condecoraram Gonzaloe a Isamis (Organizações de Direitos Humanos [8 de dezembro], ACNUR [Dia dos Direitos Humanos, 10 de dezembro], Universidade Andina – sede de Quito (Professor Honorário, 24 de fevereiro], Governo de Rafael Correa (Condecoração ao mérito em grau de Cavaleiro, 9 de março], Grande Marcha das Organizações e Comunidades [3.000 pessoas, 11 de março])... E nos próximos dias outra condecoração da Assembleia Nacional também o condecorará... além dos incontáveis manifestos de solidariedade chegados ao blog aberto para se solidarizar com Gonzalo, com Isamis e com sua gente. A Igreja nos pede que façamos uma Igreja inculturada que saiba permear a sociedade e ser fermento da Mensagem de Jesus, e construir a partir daí o Reino... Pois bem, quando uma Igreja, mesmo que pequena, consegue de alguma maneira tornar realidade esse desejo... então vem o Sr. Díaz, de Roma e sem conhecer a realidade – supomos que sob a influência desses poderes e autoridades que dirigem este mundo e suas forças obscuras, os espíritos e forças más do mundo de cima” (Ef 6, 12)... e com a aliança do Núncio no Equador e o próprio Presidente da Conferência Episcopal,Monsenhor Arregui –, quer acabar com esta pequena Igreja... mas lhe está custando um pouco. Pessoalmente, creio que não se pode chegar a um entendimento com osArautos. Sua concepção de Igreja, pelo que vêm demonstrando, o total desinteresse para conhecer o processo pastoral de Isamis, a atitude cada vez mais agressiva que estão demonstrando, a resposta que deram a todos os que foram dialogar com eles, nos leva à conclusão de que não é possível dialogar. Com a grande marcha do dia 11 de março se pode constatar que o problema já não é um problema de Igreja, é um problema com muitas implicações sociais, políticas, inclusive geopolíticas com implicação internacional. Implicação do Governo do Equador E é esta última implicação que deu pé para que o Governo possa intervir. OPresidente Correa foi claro, e contundente, na hora de manifestar seu apoio ao trabalho de Isamis, aos Carmelitas enquanto tal, e na apresentação de sábado teve expressões muito laudatórias; e em relação àConferência Episcopal também teve expressões muito duras e disse que poderia fazer uso do modus vivendi que lhe permite vetar a nomeação de bispos. “Nós não queremos ter confrontos inúteis, não queremos polemizar, pior ainda com a Conferência Episcopal e com a hierarquia da Igreja Católica, mas quero dizer-lhes que o tratado que regula as relações entre o Estado Laico-Equatoriano e o Estado do Vaticano nos permite vetar qualquer nomeação de bispo, nunca foi utilizado este expediente e que não nos obriguem a utilizá-lo agora; mas caso insistirem nestes fundamentalismos absurdos de levar à nossa Amazônia ordens que enfatizam o rito, os fundamentalismos morais, com trajes medievais em plena selva, teremos que utilizar esta potestade que nos dá o tratado do modus vivendi”, manifestou o Presidente. Seria como o Rei da Espanha ajudou Santa Teresa a superar a oposição do Núncio daquele tempo... poderia ser que hoje o Presidente Correa nos ajudaria a tirar os Arautos para poder manter o nosso Projeto de Igreja. De qualquer modo, estamos conscientes de que se conseguirmos superar a etapa dos Arautos, a etapa seguinte será tão dura ou mais... pois como dizia um teólogo: Nossa Mãe Igreja não esquece. Como estamos? Como podemos... porque a coisa já vai se arrastando por muito tempo. Os poderes inimigos são, como disse São Paulo, muito fortes. Mas a confiança de estar em sintonia com o Evangelho nos dá ânimo para seguir em frente, e para enfrentar como o pequeno “Davi” o gigante “Golias”. Os Arautos estão alojados na Mitra Diocesana. Esse é seu quartel geral. Fazem suas visitas, mas todos voltam. “Controlam” a paróquia central/catedral e a Igreja do Setor Norte. Aí já nomearam párocos oficialmente. No setor do Divino Niño, nomearam um pároco arauto, mas os ministérios, e algumas organizações tomaram a Igreja e não os deixaram entrar. Depois nas outras pastorais, na Pastoral da Terra, em sua grande maioria não foram visitadas. Somente em algumas comunidades e ocasionalmente quando há algum funeral, ou alguma festa, e então as visitam. É como se não houvesse sacerdotes diocesanos suficientes para cobrir essa presença, não se pode controlar tudo. Mas até agora estão “respeitando” a presença das equipes missionárias, mas quando tem algum funeral e estão por aí também os da renovação carismática os convidam e eles vão sem sequer avisar a equipe missionária. Na Pastoral Indígena nem entraram. Somente fizeram algumas visitas a alguma comunidade que está perto da estrada, para tirar fotos e postá-las na sua página na internet e dizer que “evangelizam os índios”... Já estamos há 70 dias em vigília. Todas as noites, das 19h às 21h, mais ou menos, um grupo, que oscila entre 100, 200, 300 pessoas, nos reunimos para rezar, cantar, nos animar, manter essa atitude vigilante e defesa de nossa Igreja. Não podemos permitir que uma Igreja que foi referência, que já é quase única – uma Igreja entendida como a das Primeiras Comunidades Cristãs –, seja destruída pela própria Igreja. Há um sentimento de dor devido à divisão que a chegada dos Arautos está produzindo, divisão na Igreja, nas comunidades, nos ministérios, nas próprias famílias. Pouco a pouco, querem açambarcar todos os espaços: a casa diocesana já é uma casa de arautos, ali todos se concentraram, os quase 20; a catedral, a igreja do Norte, a “pastoral social”, a administração, evidentemente; e agora querem a rádio – mas aí todas as pessoas de Sucumbíos pularam!, também querem o Lar Infantil... mas também não estão deixando que isso aconteça; quiseram ocupar a via Colombia, mas aí o Conselho de Pastoral Zonal assumiu uma resistência muito bem organizada... e o resto da pastoral da terra, a pastoral indígena e a pastoral negra. Vamos ver até onde somos capazes de resistir, a coisa já vai se arrastando demais. E o Núncio não disse nada. Bom, meus irmãos e minhas irmãs, fico por aqui. Rezem muito, mandem energia positiva, para que toda esta luta esteja em sintonia com o Projeto de Jesus: o Reino; que a Igreja de Jesus saia fortalecida... que seja uma sacudida que obrigue a revisar seu processo. Um grande abraço... E pouco antes de enviar esta carta, chega a notícia de que o Papa nomeou oMons. Angel Polibio Sánchez, atual secretário da Conferência Episcopal Equatoriana, como Delegado Pontifício para o Vicariato de Sucumbíos. Confiemos que essa medida ajude a superar os problemas de Isamis... confiamos em suas orações.
Durante o seu programa semanal em cadeia nacional, o presidente Rafael Correa voltou a se referir ao problema originado na Igreja San Miguel de Sucumbíos com a chegada da congregação Arautos do Evangelho para administrar o Vicariato que, por 40 anos, esteve sob a direção dosCarmelitas Descalços liderados pelo Mons. Gonzalo López Marañón. Após destacar o reconhecimento entregue pelo governo federal na quarta-feira, 9 de março, ao monsenhor Gonzalo López no palácio do governo, opresidente Correa se referiu com termos duros à hierarquia da Igreja católica do Equador, por ter enviado a Sucumbíos a congregação Arautos do Evangelho. Nesse contexto advertiu que vetará a nomeação do bispo em Sucumbíos que vier de congregações que se contraponham ao modelo de igreja social e progressista (9 de março de 2011: adiosucumbios.org.ec/index.php?option=com_content&view=article&id=277). O padre Rafael Ibarguren, administrador do Vicariato Apostólico San Miguel de Sucumbíos, em seu programa dominical denominado “A palavra se fez carne”, transmitido pela Rádio Sucumbíos, se referiu ao polêmico assunto, tomando uma publicação do jornal El Universo, de circulação nacional. O presidente Correa, por sua vez, também reconheceu o trabalho das diferentes ordens religiosas que se encontram na Amazônia equatoriana. Para ler mais: ‘Pedimos a saída dos Arautos do Evangelho de Sucumbíos’ Missão de Sucumbíos faz Assembleia sem os Arautos Manifesto da Igreja de San Miguel de Sucumbíos Carmelitas brasileiros se solidarizam com a Igreja de San Miguel de Sucumbíos |
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terça-feira, 22 de março de 2011
22 DE MARÇO, DIA MUNDIAL DA ÁGUA.
Para muitos cientistas, o aquecimento global é o maior desafio que a humanidade já enfrentou.
Quando a Bíblia fala em "água", está falando de algo benfazejo, bom, comparando até o próprio Deus da Vida como "um rio de água viva". É a água serena de um rio calmo, de um banho revitalizante, de um copo d'água cristalino quando temos muita sede. Também de uma chuva serena, que irriga a terra e faz a ressurreição da caatinga depois de meses sem chuva. Então tudo reverdece, o que parecia morto revive e a vida explode em toda sua biodiversidade e beleza.
É essa água que buscamos de modo incessante, assim como o povo do nosso semi-árido, guardando-a até numa simples cisterna, para que ela não falte nos períodos em que normalmente não haverá chuvas. É dessa forma que aproximadamente 400 mil famílias já adquiriram sua cisterna, participando de uma luta coletiva que lhes dá o mínimo para viver.
Também na briga pelo Rio São Francisco, ou na resistência a obras estúpidas como Belo Monte, no fundo está a defesa de nossos rios, caminhos que andam, veias que irrigam o corpo da Terra e abastecem as populações que procuraram suas margens para viver melhor.
A água na Bíblia
Entretanto, quando a Bíblia fala em "águas", como as do dilúvio, ou as do Mar Vermelho que cobriram o exército dos egípcios, está falando de sua força devastadora.
Em nada essa experiência é diferente do que experimenta hoje a população de Santa Catarina, ou dos morros de Teresópolis, ou a população sertaneja de Pernambuco e Alagoas. Sob as águas e a lama vão as casas, os bens, quando não a própria vida. É a experiência da fúria natural pela força das águas.
O que resta é sempre um cenário de destruição total. Tudo que estava no caminho das águas fica destruído. Reconstruir o patrimônio de famílias, comunidades e de cidades inteiras tem custo e marca o corpo e a alma.
Devido ao aquecimento global os climatologistas já nos avisaram que esses fenômenos vão se tornar cada vez mais constantes e intensos. Portanto, podemos e devemos nos preparar para o pior, pelo menos até onde é possível chegar essa precaução.
Claro que está em jogo a ocupação de morros, de margens de rios, assim por diante. Porém, a humanidade sempre procurou as margens dos rios, para estar próxima das águas. Mas, as enchentes eram naturais, com ciclos mais regulares, permitindo aos povos desenvolver uma convivência mais pacífica com as variações dos rios.
No São Francisco, por exemplo, vi muitas vezes as comunidades fincarem estacas junto à linha d'água para averiguar a elevação do seu nível no dia seguinte. Hoje, as águas chegam diluvianas de um instante para o outro, não permitindo sequer sair de casa.
Campanha da Fraternidade
O tema da Campanha da Fraternidade desse ano é justamente o aquecimento global. Ele está alterando rápida e violentamente o regime das águas. Com mais calor há mais evaporação. Com mais evaporação há, por consequência, mais precipitação e, particularmente, precipitações mais concentradas. A chuva que se abateu sobre Nova Friburgo foi cerca de 180 milímetros, o que significa 180 litros de água por metro quadrado. Em qualquer lugar do mundo seria devastadora. Porém, se cai em áreas ambientalmente alteradas pela ação humana, transforma-se em tragédia.
Para muitos cientistas o aquecimento global é o maior desafio que a humanidade já enfrentou. Para James Lovelock, diante desse fenômeno, todos os outros problemas humanos são praticamente irrelevantes. Se a temperatura média da Terra se elevar de dois até seis graus, o planeta vai se tornar um inferno. A mudança no regime das águas será um dos fatores mais devastadores como consequência dessas mudanças.
O Brasil não é um país preparado para enfrentar essa nova realidade. Nossa população foi expulsa massivamente do campo e teve que se arranjar nas cidades. Sem espaço nos meios mais elitizados, acabou ocupando as encostas dos morros. Aliás, a expressão "favela" tem origem em uma árvore nordestina, que faz a pele arder intensamente quando toca o corpo. Dizem os estudiosos que foram os soldados remanescentes da guerra de Canudos que, ao voltarem para o Rio de Janeiro, sem espaço para ficar, ocuparam os primeiros morros cariocas e deram a essas ocupações o codinome de "favelas". Sabiam o que tinham encontrado no sertão, sabiam o que estavam encontrando no Rio.
A ocupação das cidades, portanto, se deu sem qualquer planejamento, a não ser a necessidade de mão-de-obra barata para atender à industrialização brasileira. Hoje, cidades assim precárias e injustamente construídas, não têm condição de suportar o aumento na pluviosidade e na precipitação concentradas, geradas pelas mudanças do clima.
A chamada Defesa Civil não está preparada para fenômenos desse porte. Já se fala que teremos que lidar com essas questões como os países que sofrem furacões tiveram que se preparar para enfrentá-los. Portanto, demanda uma nova cultura diante das catástrofes, mas demanda também pessoas e muitos investimentos.
Costumamos repetir que não estamos em uma "época de mudanças", mas em uma "mudança de época". A sociedade que vivemos, assim como a Terra que vivemos, serão bastante diferentes ao final desse século. Talvez muito piores. Uma verdadeira incógnita.
Por isso, a imensa responsabilidade dos que dirigem a humanidade e nosso país nesse momento. O futuro vai depender das decisões hoje tomadas. Uma delas diz respeito às mudanças no Código Florestal. A proposta, oriunda do setor empresarial do campo, mas que inclui também medidas para as cidades visa facilitar o desmatamento em morros e margens de rios, exatamente onde está a maior vulnerabilidade ambiental. Permitir essas mudanças, só porque há um setor da sociedade poderoso política e economicamente, é consolidar a tragédia para as gerações futuras, que podem ser nossos filhos e netos. Esse talvez seja o exemplo mais cabal do ponto que pode chegar a irresponsabilidade humana. Parodiando Millôr Fernandes, a humanidade "já deu provas que pode chegar até o limite de sua ignorância e, no entanto, prosseguir".
* Roberto Malvezzi é membro da Equipe Terra, Água e Meio Ambiente do CELAM. Publicado na revista Missões, n. 02, Março de 2011.
Fonte: Revista Missões
segunda-feira, 21 de março de 2011
mensagem: A VIRTUDE!
A indulgência é uma virtude sem a qual não podemos evoluir.
Através da indulgência para com nossos irmãos de jornada,
vamos aprendendo a desenvolver em nós outras virtudes.
Porque é ela que nós da sustentação e o discernimento para compreender
todas as dificuldades do outro, sem julgarmos mas sim auxiliarmos
e consequentemente estaremos nos ajudando em nossa reforma interior.
Através da indulgência, poderemos por em prática a verdadeira caridade,
porque estamos tendo a oportunidade de compreender
o outro como ele se apresenta a nós, com todos os defeitos e erros.
Lembramos que ser indulgente, não é ser conivente com as faltas do outro,
mas sim compreender o que o levou a errar.
Para podermos exercitar a indulgência, devemos nos abster de julgamentos
que não nos levam a nenhum tipo de crescimento.
Quando colocamos a indulgência como parceira de nossa modificação interior,
temos a certeza de que estamos no caminho do Cristo
Uma prece ao Mestre
Querido Mestre Jesus,
Hoje estou aqui, para agradecer por tudo que estou passando,
e tenho certeza de que estas olhando por mim.
Agradeço pelas lutas que tenho que enfrentar diariamente;
Agradeço pelos espinhos que tenho que transpor todos os dias;
Sei que tudo que estou passando neste momento,
me levará a melhora dos meus sentimentos;
Agradeço pelas dores da alma em que me encontro neste momento,
porque é através delas que conseguirei forças
para sanar as minhas chagas interiores;
Agradeço pela família que me deste;
Agradeço pela condição material que me deste;
Agradeço pela oportunidade do aprendizado;
Agradeço por ser meu fiel amigo de todas as horas;
E principalmente agradeço pela oportunidade da vida.
Que assim seja!
A responsabilidade
A responsabilidade nos leva ao equilíbrio e ao discernimento.
Quando pautamos nossa vida pela responsabilidade
e executamos nossos deveres e obrigações materiais ou morais,
buscando o aperfeiçoamento, estamos proporcionando a nós
a tranqüilidade e a serenidade para caminharmos sem atropelos.
Se tomarmos o rumo da irresponsabilidade, teremos muito sofrimento
e angustia dentro dos nossos corações e desta forma estaremos
maltratando nossa mente e nosso corpo físico.
Temos a responsabilidade em tudo que nos acontece
seja material ou emocional, tudo depende de como reagimos
diante de cada situação.
Por isso a importância de sempre estarmos buscando
bons pensamentos e a reflexão sobre nossos atos,
porque seremos cobrados por tudo que fazemos,
então busquemos a responsabilidade como nossa companheira
sempre que precisarmos tomar alguma decisão,
não vamos deixar que o impulso tome conta de nossas ações,
para não nos arrependermos mais tarde.
Responsabilidade moral
Muitas vezes somos conduzidos ao erro, por falta de
responsabilidade por nossos atos, e com isso deixamos de evoluir moralmente.
Temos a responsabilidade moral para com nossos irmãos,
e isso significa que não devemos nunca faltar com a verdade
ou praticar atos que possam levar o outro ao engano.
Somos irmãos perante Deus, contudo muitas vezes não agimos
desta forma, queremos levar vantagem, estar à frente do outro,
enquanto que deveríamos chegar todos juntos.
Não devemos atrasar a caminhada de ninguém, devemos sim auxiliar
sempre aqueles que precisam da nossa ajuda para evoluir.
Somos responsáveis uns pelos outros, independente do parentesco
sanguíneo, uma vez que fazemos parte de uma família Universal
onde devemos protegê-la e acima de tudo, amá-la e conduzi-la ao caminho do bem.
Este é o caminho que Jesus espera que tomemos, mas muitas vezes
nos esquecemos e ferimos nossos irmãos por orgulho e vaidade,
porque nos achamos capazes de caminharmos sozinhos,
e este é o maior dos enganos que podemos ter em nossa caminhada,
devemos sim, propagar sempre o bem e tentarmos de todas as formas
transformarmos esses sentimentos egoístas em sentimentos fraternos e de união.
Bem sabemos que a união nos leva a força, e tendo a força seremos mais confiantes.
Diante disso, temos para com o nosso irmão a responsabilidade moral
de servir sempre que formos solicitados ao auxílio do próximo.
Responsabilidade sobre nossos atos
.
Estamos todos a caminho da evolução, em espírito ou no corpo físico (alma),
Deus nos deixou o livre-arbítrio para fazermos nossas escolhas
e nos responsabilizarmos por elas, pois cada um de nós é
uma individualidade e diante disso, somos os condutores
de nossas ações perante nossa trajetória.
A responsabilidade nos obriga a responder por nossas ações, pois
existe uma cobrança em nossa consciência sobre tudo que fazemos,
e esta cobrança pode não ser imediata, mas nos visita a consciência
sempre que agimos de forma irresponsável e seja em qualquer tempo,
a cobrança sempre vem.
Temos a responsabilidade por nossas palavras, por nossas atitudes
para com o outro e por nossos sentimentos e pensamentos.
Escolhemos sofrer ou ser feliz, é nossa a responsabilidade
de traçarmos uma vida calma, segura e pautada pelo amor em tudo que fazemos.
Quando nos pegamos na irresponsabilidade de nossas ações ou sentimentos,
estamos passando por cima das Leis Divinas, que nos pede a todo
instante conduzir nossa vida no caminho do bem, com bons sentimentos e pensamentos.
Somente assim poderemos realmente colocar a responsabilidade
a frente de nossos atos, e desta forma poderemos desenvolver
a nossa reforma moral e sempre plantar o bem por onde passarmos,
sem que ninguém possa se perder pelo caminho.
É desta forma que desenvolveremos em nós a segurança
de estarmos no caminho do bem.
Um amigo chamado Jesus
Todos têm um amigo inseparável e único, o nome dele é Jesus.
Ele nos socorre sempre, está sempre preocupado conosco,
mesmo muitas vezes nos esquecendo Dele, Ele nunca nos esquece.
Está em todos os momentos de nossa caminhada ao nosso lado,
orientando e nos amando incondicionalmente,
nós é que não estamos sempre dispostos
a conversar com Ele e receber sua ajuda.
Quando estamos desesperados em nossas dificuldades
é Ele que nos ampara e nos mostra as resoluções.
Sempre deixa para nós uma porta aberta.
Procura carregar-nos no colo todas as vezes que nossas
pernas não têm mais força para caminhar.
Enxuga nossas lágrimas de dor e sofrimento,
somente através do amor que nos transmite.
Se você esqueceu que tem esse amigo,
então retome a consciência de sua vida e
procure-o através da prece
e diga a Ele que o ama e que é parte fundamental
para atingir os objetivos da sua vida.
Os Amigos Caminham Juntos
.
Quantas vezes nos sentimos só, achamos que estamos
percorrendo uma estrada onde ninguém pode nos segurar a mão.
De repente nos encontramos com pessoas que nos
estendem as mãos e caminham juntas conosco.
Esse é o nosso amigo, aquele sem intenções escusas
nos aceita do jeito que somos e comprometem-se
em nos ajudar sempre sem nenhum pagamento em troca.
Os amigos de verdade, não deixam de apontar em nós
nossos erros, e devemos com todas as nossas forças
aceitar seus conselhos porque com certeza sempre querem o melhor para nós.
Os amigos querem caminhar juntos conosco,
não querem chegar a nossa frente na caminhada da vida,
querem sim estar ao nosso lado para que juntos possamos
chegar vitoriosos em nossas batalhas da vida.
Não deixe que seu amigo vá embora, sempre que sentires
que o está perdendo, reflita sobre seu comportamento
e suas ações e veja se não está deixando de doar-se verdadeiramente a ele.
Lembre-se, quem tem amigos jamais vai caminhar sozinho,
estará sempre amparado.
Doe-se verdadeiramente ao seu amigo, diga a ele que é
importante em sua vida, não deixe de acreditar no Amor
do seu amigo, mesmo que tenha acontecido algo que você
não tenha aprovado, procure-o e peça desculpas
e acima de tudo fale a ele o quanto é importante em sua vida.
E segure-o pelas mãos e vá enfrente em sua caminhada.
A amizade
A amizade é um sentimento único, onde colocamos em prática
nosso senso de doação ao outro, através da compreensão,
do apoio e do amor fraterno.
A verdadeira amizade é aquela onde doamos ao outro
todo nosso afeto e amor sem segundas intenções,
buscamos somente o companheirismo e a doação
dos nossos melhores sentimentos.
Ter um amigo deve significar cumplicidade de sentimentos
e estar sempre à disposição para ajudar sem esperar nada em troca.
É estar presente em todos os momentos do outro
e acima de tudo não ser conivente com seus erros
mais ajuda-lo a superar suas dificuldades.
A amizade é dádiva Divina, porque muitas vezes
nos damos melhor com um amigo do que com nossos próprios familiares
e a providência divina proporciona a nós a oportunidade
de nos encontrarmos com esses amigos que nos são muito valiosos
e perceba que a consangüinidade não é sinal de amizade e cumplicidade.
Por isso a amizade vai além da matéria.
Se tiveres um amigo querido, preserve-o sempre,
não importa se ele está longe ou perto,
o que importa é o seu sincero reconhecimento desta amizade!!!
sexta-feira, 18 de março de 2011
POLÍCIA MATA 33,5 MIL JOVENS EM 5 ANOS

Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial
Campanha de Mobilização contra o genocídio da população negra
No dia 21 de março de 1960, em Johanesburgo - África do Sul, mais de 20.000 pessoas protestavam contra a Lei do Passe (que obrigava os negros portar um documento que restringia sua circulação no próprio país), foi duramente reprimida pela a polícia do regime do Regime Racista do apartheid, matando 69 pessoas e ferindo 186. Neste dia é celebrado mundialmente como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, em referência ao Massacre de Shaperville.
Sexta 11/03, “O atleta negro TAIRONE SILVA, 16 anos, de Osório-RS, campeão gaúcho e brasileiro de boxe juvenil, foi assassinado por um PM. TAIRONE, que participou recentemente de um programa RBS Esportes, postado no Youtube, também havia sido convidado para equipe brasileira de boxe. O racismo continua arraigado... viceja por todo o nosso cotidiano, cortando a vida e a trajetória de muitos dos nossos jovens negros, devido a uma policia racista!!!!!! Iosvaldyr carvalho Bittencourt Jr.”
No Brasil, no ano passado, em menos de uma semana, a PM paulista assassinou dois motoboys, jovens negros inocentes: Alexandre Menezes dos Santos, 25 anos, teria furado um bloqueio e andado mais 50 metros com sua moto até a porta de casa. Eduardo Luiz Pinheiro dos Santos, 30, foi acusado de desacatar um PM. Dezenas de casos semelhantes ocorreram na baixada santista e em todo estado de SP. Assassinatos, como o do atleta negro gaúcho Tairone, cometidos pela PM, acumulam-se aos milhares, em todos os estados do Brasil, governados pelo PT, PSDB, PMDB, PSB e demais partidos, todos os dias, configurando um verdadeiro genocídio através do extermínio da juventude negra.
A política do estado, de criminalização dos movimentos sociais, tem sido uma pratica freqüente destes governos, suas policias e pela justiça, perseguindo, processando e prendendo injustamente muitos os lutadores do povo (indígenas, assentados, quilombolas, sem terra, sem teto, camelos, trabalhadores grevistas e estudantes), como repressão a suas causas e justa militância. Um caso emblemático é a cilada montada, em julgamento próximo, do companheiro Gegê, importante liderança do movimento pela moradia, acusado em um processo sem provas e cheio de vícios.
O mapa da violência, publicado no final do ano passado pelo Instituto Sangari em parceria com o Ministério da Justiça, aponta que os homicídios praticados no Brasil (a maioria pela policia), superam as mortes em territórios conflagrados. Os 27 anos de guerra em Angola matou 550.000 pessoas. Em 11 anos, entre 1997 e 2007, no Brasil, as vitimas fatais foram mais 512.000, comenta o pesquisador Luiz Flavio Gomes. Sendo que 3 em 4 vitimas são jovens negros entre 12 e 25 anos, 70% sem passagem na policia. Uma verdadeira guerra civil não declarada, contra o inimigo eleito pelas elites e pelo estado brasileiro: o povo negro, os indígenas e os pobres.
O governo federal, os estaduais e a elite racista, condenam e aprofundam a pobreza e o desemprego, saqueando os recursos públicos, interessados apenas em pagar os custos financeiros das milionárias campanhas eleitorais e os custos político, com ampla distribuição benesses e cargos, em pagamento aos aliados. Impondo cortes no orçamento federal de R$ 50 bilhões. Reduzindo investimentos em políticas sociais, suspendendo concursos públicos, demitindo trabalhadores e sucateando os precários serviços públicos, piorando o péssimo atendimento a saúde publica do SUS, e a qualidade do ensino fundamental e médio.
O Plano Nacional de Segurança Publica do governo Lula, cujo propósito era liberar verbas para os governos estaduais melhorar o aparelhamento de suas policias, em contrapartida, educar as policias para o respeito dos direitos humanos. Resultou na maior matança de todos os tempos, sem qualquer cobrança do governo federal, do judiciário ou no parlamento dos crimes cometidos.
A ocupação do Haiti foi o laboratório para o treinamento do exercito brasileiro em conflitos urbanos. A recente Garantia de Lei e Ordem do governo federal autoriza o exercito a atuar na ocupação e repressão das favelas, o que ameaça os pilares da democracia brasileira.
O governo federal apóia as UPP´s (Unidade de Polícia Pacificadora) do governador do RJ, Sergio Cabral, PMDB-RJ, utilizando as policias estaduais, a força nacional e as forças armadas, no sitiamento, desalojamento e remoção de comunidades e populações empobrecidas e marginalizadas, como modelo para todos os estados. Salvador e Aracaju receberão as próximas UPP´s, com o propósito de abrir um raio de segurança aos turistas que virão para o Brasil durante as olimpíadas de 2014 e a Copa do Mundo em 2016, beneficiando o milionário negocio do turismo das elites políticas e econômicas brasileiras. A Operação Saturação, do governo Alckmin em São Paulo, segue o mesmo padrão de atuação das UPPS.
Senadores e deputados atacam (ou se calam, demonstrando conivência) as conquistas da população negra, e da população trabalhadora nos últimos 30, 40 anos, propondo leis em beneficio próprio (como os recentes aumentos reais de salários de até 60%, para todos os parlamentares, presidente, ministros e juízes), em prejuízo do mísero e vergonhoso salário mínimo de R$ 545,00, imposto aos trabalhadores mais humildes e aos aposentados.
Neste semestre, devem ser julgadas no STF - Supremo Tribunal Federal, A ADIN-Ação Direta de Inconstitucionalidade 3239, contra o decreto 4887/2003 (que regulamenta a titulação das terras quilombolas), impetrada pelo deputado Valdir Collato do PMDB-SC, bem como, a ação ajuizada pelo DEM contrario as cotas raciais, ambas conquistas do movimento negro e da juventude universitária brasileira.
Convocamos todos os lutadores e a população em geral, a se juntarem nesta mobilização para por um fim nas arbitrariedades das elites e dos governos racistas.
· Contra a violência do estado policial
· Contra o genocídio da juventude e da população negra Negra!
· Repudio a ADIN dos Ruralistas contra a Titulação das Comunidades Quilombolas!
· Abaixo a Ação do DEM contrária as cotas, no STF!
· Contra a implementação das UPP´s e do uso exército para repressão a população!
· Contra a criminalização dos Movimentos Populares!
· Pela absolvição de todos os perseguidos por suas atuações políticas!
COMITÊ DE MOBILIZAÇÃO CONTRA O GENOCÍDIO DA POPULAÇÃO NEGRA
Reuniões Todas as Sextas Feiras – 18:00hs – Escritório da UNEafro-Brasil – R. Abolição 167 – Bela Vista - SP