terça-feira, 6 de março de 2012
ambiente é vida!
Cardeal Hummes: "Evangelizar com sustentabilidade"
06/03/2012 | Rádio VaticanoA pastoral com a população indígena, o desafio das seitas e a promoção do apostolado laical são apenas alguns dos desafios enfrentados pela Igreja no Brasil na região da Amazônia. Mas o desafio mais importante é a pastoral num território imenso, às vezes impenetrável, de milhares de pequenas aldeias. Uma das maiores dificuldades é a pastoral com a população indígena.
Encarregada desta missão é a Comissão Episcopal para a Amazônia, criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, e confiada ao Cardeal Cláudio Hummes, prefeito emérito da Congregação para o Clero.
Entrevistado pelo Programa Brasileiro, Dom Cláudio relevou a importância da preservação da identidade cultural, da defesa das terras reservadas às tribos e do respeito aos seus direitos humanos. Para ele, o fundamental é evangelizar, sim, mas com sustentabilidade e, sobretudo, respeito pelos povos nativos.
"Dia 25 vou estar em São Gabriel da Cachoeira, bem no norte do Amazonas, visitando a diocese, porque eles vão inaugurar uma fazenda da esperança, para os dependentes de álcool entre os índios, que é um problema muito grande naquela região, infelizmente. Também quero visitar outras dioceses da área, mas, sobretudo na Assembleia Geral da CNBB, que será depois da Páscoa, já convocamos os Bispos da Amazônia, teremos uma grande reunião com a Comissão, para primeiramente ouvi-los. O que esperam desta Comissão? Começaremos a abordar assuntos específicos porque a Amazônia, como todos sabem, é uma região muito particular, tem particularidades que não se deveriam ser destruídas. O risco é que se trate a Amazônia como qualquer outra parte do Brasil ou do mundo".
"Como levar o desenvolvimento à Amazônia? O desenvolvimento deve preservar, ser oferecido aos índios, e não imposto. No entanto, eles têm direito a que se lhes ofereça o desenvolvimento moderno, na medida e no ritmo em que o quiserem; sem lhes impor, e menos ainda destruir, mas que eles assimilem e façam seu desenvolvimento a partir daquilo que é oferecido pela comunidade mundial e brasileira em termos de progressos econômicos, científicos e técnicos. Eles devem ser sujeitos desta história".
"Quanto à Igreja, é a mesma coisa: como a Igreja vai se inculturar na região?. Existem aqueles que defendem o direito dos índios, importantíssimos, e outros que defendem a evangelização direta, mas as duas coisas são as duas pernas com que se deve andar. Não se pode caminhar com uma perna só, seria prejudicial para os próprios índios. A Igreja de fato, se torna cada vez mais consciente, e eles também. Estas são as coisas que devemos trabalhar e ajudar".
Fonte: www. www.radiovaticana.org
Revista Missão.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Assembleia do Comina reflete sobre os desafios de estar no mundo sem ser do mundo
03/03/2012 | Jaime C. PatiasNa manhã deste sábado, a Assembleia do Conselho Missionário Nacional - Comina se debruçou sobre os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II e os 40 anos da criação do Comina. O tema foi abordado pelo assessor do Conselho Indigenista Missionário - Cimi, o teológico Paulo Suess, autor de um dos três artigos que compõem o texto-base do 3º Congresso Missionário Nacional a realizar-se nos dias 12 a 15 de julho em Palmas - TO.
Padre Paulo Suess chamou atenção para as principais forças do Concílio na ótica da Missão com destaque para a natureza missionária da Igreja; a centralidade da Palavra de Deus, a centralidade do Reino; o conceito de Igreja como Povo de Deus; a opção pelos pobres; a inculturação e libertação. Três anos depois do Concílio aconteceram as grandes mudanças de 1968. Foi o ano das contestações e mudanças culturais. Exatamente neste ano aconteceu também a Conferência de Medellín.
O missiólogo avalia que, "ainda temos muito a fazer para realizar as propostas do Concílio. Por conseguinte, a Conferência de Aparecida pede uma Conversão Pastoral. Indicadores para esta conversão são "os sinais do tempo". O tópico dos sinais dos tempos que o Concílio e depois as conferências Latino-americanas de Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida assumiram, nos dizem: Deus fala não só na Igreja. Ele dá avisos à Igreja desde o mundo. Muitos fatos, que hoje nos questionam, são provocações de Deus para dizer que talvez seja preciso mudar algo", argumentou.
Ao comentar sobre o tema do 3º CMN "Discipulado missionário: do Brasil para um Mundo secularizado e pluricultural, à luz do Vaticano II", o assessor explicou que o termo secularização compreende dois polos: a Igreja missionária pode secularizar-se, correr atrás das modas, ou ela pode manter-se fora ou acima do mundo. O Evangelho nos propõe, "estar no mundo sem ser do mundo. Podemos desvirtuar a nossa missão por excesso de secularização ou por falta de contato com o mundo. Para ele, o ideal é "buscar o bom meio, o equilíbrio entre os dois extremos".
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"Missão é responsabilidade", afirmou Paulo Suess, para em seguida explicar que, "o capitalismo é irresponsável. O Capital exterioriza as responsabilidades pelos trabalhadores (saúde, bem-estar, aposentadoria) e nós somos responsáveis pelo que acontece no mundo, espiritual e materialmente. Somos responsáveis pelas necessidades básicas da comunidade, que são materiais e espirituais. As comunidades, às vezes, passam por um jejum eucarístico prolongado. Ser católico significa ler a palavra de Deus e celebrar o sacramento. Precisamos repensar a estrutura sacramental dos ministérios", disse referindo-se à falta de ministros ordenados para lidar com os sacramentos. "A questão não está no embate sobre as normas e doutrinas, mas em garantir a nossa presença no mundo diversificado com ministérios diversificados. Somos construtores de uma Igreja diaconal, dialogal e profética. Como diz Aparecida, a conversão pastoral da Igreja visa à uma Igreja casa dos pobres, samaritana e advogada. Não somos mais os tutores dos fracos nem os juízes entre ricos e pobres", sublinhou.
Nessa questão, a Vida Consagrada e Religiosa, pode contribuir. "O imperativo profético se desdobra não só em crítica e denúncia, mas também na assunção positiva da gratuidade, da ascese, do despojamento. A profecia desdobra-se na dimensão contracultural da negação da cultura hegemônica de consumo. A Igreja missionária é o freio de emergência de um projeto que impossibilita o bem viver dos pobres".

Sobre o desafio entre mundo secularizado e inculturação, o padre Paulo Suess destacou que,"o discipulado missionário exige inculturação no ambiente dos pobres onde a fé é vivida. Por outro lado, a fé é sempre vivida na contramão da cultura hegemônica. Mas, os pobres, muitas vezes, anseiam os "progressos" da cultura hegemônica. Também eles fazem parte do mundo alienado. A dor dos que sofrem nem sempre liberta da alienação". Precisamos sempre discernir entre a necessidade da "inculturação" e a necessidade da contraculturalidade evangélica. Eis a questão: estar no mundo, sem ser do mundo", alertou.
"A nossa missão é de esperança que possibilita reconhecer a justiça como necessidade, transformá-la em possibilidade cotidiana, experimentá-la como graça e vivê-la convincentemente através da nossa presença solidária, até os confins do mundo", concluiu o teólogo.
Na sequência aconteceu uma coletiva de imprensa durante a qual foram apresentados oficialmente o Cartaz, a Logomarca, o Instrumento de Trabalho e o Site do 3º Congresso Missionário Nacional.
Conheça o site oficial do 3º CMN: http://pom.org.br/congresso/
Fonte: Assessoria Comunicação do Comina
Revista Missões.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Estudo lista os desafios ambientais deste século
A comunidade científica internacional listou as 21 questões ambientais emergentes no século XXI, e no topo do ranking está a necessidade de ajustar a governança aos desafios da sustentabilidade global. Ou seja: no sistema atual faltam representatividade, dados, transparência, maior participação e eficiência na transição para economias de baixo carbono. O segundo lugar do ranking é surpreendente: não há profissionais capacitados para a economia verde.
Governança é um temas-chave da Rio+20, a conferência da ONU sobre desenvolvimento sustentável que acontece no Rio em junho.
A reportagem é de Daniela Chiaretti e publicada pelo jornal Valor, 24-02-2012.
Ali o debate será sobre fortalecer e achar uma nova arquitetura para ambiente e desenvolvimento sustentável dentro da ONU. No estudo, divulgado esta semana em Nairóbi, cientistas apontam uma falha generalizada que extrapola a ONU e existe nas pequenas comunidades, cidades e regiões e em nível nacional. Há um grande descompasso entre o que a ciência aponta como problemático e a capacidade dos governos de encontrar soluções, mesmo que existam mais de 900 acordos internacionais com foco na proteção ambiental. A convenção do clima é um dos exemplos emblemáticos.
Os problemas de governança ambiental ganharam o topo da lista de temas que 428 cientistas de todo o mundo reconhecem como muito importantes, mas que, acreditam, não estão recebendo a merecida atenção dos governos. O estudo "21 Questões para o Século 21" levou quase um ano para ser realizado pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma). A intenção é informar os líderes que vão tomar decisões na Rio+20.
O segundo lugar no ranking é a ausência de profissionais capacitados para o desenvolvimento sustentável. Um estudo recente do Pnuma com a Organização Internacional do Trabalho (OIT) nos EUA esbarrou na falta de engenheiros que pudessem desenhar geradores solares. "Nos próximos dez anos, muitas usinas nucleares no mundo serão desativadas, o que irá produzir um enorme volume de lixo atômico", explica Joseph Alcamo, cientista-chefe do Pnuma e coordenador da pesquisa.
Segundo ele, há entre 35 e 40 usinas nucleares no mundo construídas nos anos 70 e que se aproximam do prazo de validade. "O volume de lixo nuclear de uma usina desativada pode ser entre 10 a 2.000 vezes maior do que quando ela estava em operação", estima. Não há técnicos especializados neste assunto e menos ainda na proporção necessária. "É preciso educar e capacitar para estes desafios", diz.
Para 84% dos especialistas do estudo, a segurança alimentar será uma grande questão no século em que a população mundial chegará a 9 bilhões. O temor não é novo, mas há uma novidade, diz Alcamo: "É a dimensão ambiental do problema". Trata-se de produção de alimentos ameaçada pela mudança climática, pela competição pela terra entre comida e biocombustíveis ou que enfrenta falta de água.
"Peixes representam 10% das calorias consumidas pelas pessoas no mundo, e 25% dos estoques estão esgotados ou super explorados". "Há zonas pesqueiras mortas perto da costa em função da poluição das águas", destaca. A produção de biocombustíveis tem ocupado mais 2 milhões de hectares de terra por ano. Há um acréscimo de 2 a 5 milhões de hectares ao ano de solos degradados. "Há muitas soluções para isso", diz. "Um deles é recuperar as áreas degradadas."
Cientistas acreditam que reconstruir a ponte entre ciência e política é outra questão, assim como lidar com migrações resultantes da mudança do clima, o potencial colapso de sistemas oceânicos e o derretimento das geleiras.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
ESCOLA DE CONSCIÊNTIZAÇÃO AMBIENTAL.
Assad tenta forçar submissão de Homs e alarma o mundo.

As forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, tentando forçar a submissão da cidade de Homs, mataram nesta quarta-feira mais 19 pessoas, incluindo dois jornalistas ocidentais, em um ataque que provocou clamor internacional a favor de uma intervenção que acabe com o derramamento de sangue.
Centenas de pessoas foram assassinadas em bombardeios diários contra Homs pelas forças de Assad que cercam a cidade e que usam artilharia, foguetes e tanques T-72 d
Manifestantes batem na imagem do presidente
Bachar al-Assad com sapatos durante um protesto
durante o regime de Assad do lado de fora da
Embaixada Síria, em Londres.
fabricação soviética, aumentando os temores de que Assad submeta Homs à mesma devastação infligida por seu pai à cidade rebelde de Hama 30 anos atrás, que deixou mais de 10.000 mortos.
Com a paralisação da diplomacia que tinha o objetivo de parar o derramamento de sangue na Síria, e as forças de Assad intensificando as ofensivas para exterminar os rebeldes, os Estados Unidos deram a entender que poderiam armar a oposição síria.
O bairro de Baba Amro em Homs, onde foram relatadas as 19 mortes, está sendo bombardeado desde 3 de fevereiro, levando o conflito para uma nova dimensão que deve dominar as conversas “Amigos da Síria” em Túnis na sexta-feira, onde a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, se reúne com autoridades e grupos de 70 países.
Em um sinal de que a carnificina está piorando na Síria, ativistas disseram que as tropas e milícias leais a Assad capturaram e mataram 27 jovens na terça-feira em vilarejos no norte do país. A insurreição contra o governo autocrático de Assad já dura 11 meses.
A Rússia, um dos poucos aliados de Assad e que pode ter alguma influência sobre ele, disse na quarta-feira que estava buscando uma passagem segura de comboios com ajuda para civis sírios presos na violência disseminada.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Alexander Lukashevich, disse que a Rússia, que é um fornecedor de armas para a Síria, pediu ao secretário-geral da ONU que enviasse um representante para entrar em contato com todos os lados envolvidos no conflito sírio pelo tráfego seguro de comboios humanitários.
“Nossa iniciativa visa fornecer segurança para os transportes de cargas humanitárias, estamos trabalhando de forma ativa com a Síria e com (os países) em volta”, disse Lukashevich a jornalistas.
“Estamos trabalhando nessa área com a liderança síria e com representantes da oposição, com a Cruz Vermelha Internacional”, disse.
A Cruz Vermelha pediu cessar-fogo diários para permitir que a ajuda chegasse a cidades como Homs, onde os moradores estão perto da inanição, sobrevivendo de água recolhida da chuva, vendo os feridos morrerem e amedrontados demais para sair de suas casas e abrigos.
A França instou a Síria na quarta-feira a suspender os ataques contra Homs e a permitir o acesso seguro para trabalhadores humanitários cuidarem dos feridos.
O Conselho Nacional Sírio (CNS), da oposição, disse na quarta-feira que estava chegando à conclusão de que a intervenção militar era a única resposta para a crise.
“Estamos realmente perto de ver essa intervenção militar como a única solução. Há dois males, a intervenção militar ou a guerra civil prolongada”, disse Basma Kodmani, uma autoridade da CNS, em uma coletiva de imprensa em Paris.
Jornalistas mortos
Dois jornalistas ocidentais foram mortos quando bombas atingiram as casas em que estavam em Homs na quarta-feira, afirmaram ativistas de oposição e testemunhas à Reuters.
Os repórteres eram Marie Colvin, jornalista norte-americana que trabalhava para o jornal britânico Sunday Times, e o fotógrafo francês Remi Ochlik.
Uma testemunha disse à agência inglesa de notícias Reuters por telefone que bombas atingiram a casa onde eles estavam e um foguete os atingiu enquanto tentavam escapar.
Ambos eram repórteres veteranos de guerras no Oriente Médio e outros locais.
Por Redação, com Reuters - de Amã.
CORREIO DO BRASIL.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
A mulher da Era pós moderna
A mulher da Era-pós moderna deve aparecer nos editoriais "completamente desnuda de vulgaridade e totalmente vestida de inteligência". Sua elegância se fará notar pela suavidade dos adereços. Na boca, um precioso implante de palavras que desviem o furor. Cílios nada postiços, capazes de filtrar o excesso de pó que pulverizam na vida das pessoas e uma lente de contato para enxergar as qualidades do próximo. Nos cabelos, condicionadores que amaciem o afago das mãos que se apressem a moderar, acalmar, abrigar.15/02/2012 | Ivone Boechat *
A mulher deve se preparar para ser modelo. Só pisar nas passarelas da vida, sob as luzes do flash da simpatia! Para manter a forma, uma dieta diferenciada. Evitar os frutos amargos que se colhem nos canteiros do ressentimento, nunca se afogar numa sopa de mágoa, regada a disse me disse, nem pensar em se viciar na overdose da desgraça alheia.
Toda noite, a mulher pós-moderna tem o cuidado de limpar do rosto as teias da decepção daquele dia e espalhar muita alegria em volta dos olhos, da boca, áreas mais afetadas pela desidratação que a tristeza provoca! A reposição hormonal do amor, da fé, da misericórdia e da compaixão é feita em alta dosagem, porque já se provou cientificamente que o único efeito colateral que provoca é a manifestação de bondade.
A mulher pós-moderna não pode se descuidar de suas mãos. Ela tem nos dedos a aliança de compromisso com a dor alheia. Na bolsa, uma cartela de pílulas da felicidade e também não podem faltar moedas para facilitar o troco: ofensa se troca pelo perdão. Afinal, ela só anda na última moda, moda e mudança são palavras irmãs. Roupa de marca é roupa que marca a sua presença nas rodas sociais, pela discrição e dignidade.
A mulher pós-moderna não é pesada no self-service cultural, como uma salada de frutas: melão, melancia, morango; ela é louvada e reconhecida no jardim da família pelo nome das flores que ajudou a plantar: mulher margarida, mulher rosa, mulher violeta, mulher hortência, mulher-amor-perfeito.
A mulher pós-moderna é embaixadora da paz. É vigilante pertinaz da preservação da vida! A plástica de sua beleza interior não perde a validade. Seu corpo espiritual se reabastece nos mananciais da fé.
* Ivone Boechat é mestre em educação, pedagoga, conferencista e escritora. Autora do livro "Estratégias para encantar educadores na Arte de Aprender" (2011).
Fonte: Revista Missões